top of page

RH: precisamos falar sobre a epidemia do endividamento

  • Foto do escritor: Juliana Barroso Lopes
    Juliana Barroso Lopes
  • 16 de jul.
  • 3 min de leitura

O endividamento deixou de ser apenas um problema financeiro. Hoje, ele também é um desafio para o gerenciamento de pessoas.


Em 2026, o Brasil atingiu um dos maiores níveis de endividamento já registrados. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC/CNC), mais de 80% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida, o maior índice da série histórica. Paralelamente, dados da Serasa mostram que o país ultrapassou 83 milhões de pessoas inadimplentes, o equivalente a mais da metade da população adulta brasileira.


imagem - dívidas
imagem meramente ilustrativa - dívidas

Embora esses números sejam frequentemente analisados sob a ótica econômica, existe um aspecto que ainda recebe pouca atenção: o impacto direto dessa realidade dentro das empresas.


O colaborador não deixa seus problemas financeiros na porta do escritório. A preocupação constante com contas atrasadas, juros elevados, renegociações e cobranças acompanha sua rotina, influencia seu bem-estar, afeta sua saúde mental e, inevitavelmente, interfere em sua capacidade de trabalhar.




A epidemia silenciosa do endividamento


O aumento do custo de vida, o crédito mais caro, o uso recorrente do cartão de crédito e o comprometimento crescente da renda fizeram com que o endividamento deixasse de ser uma situação pontual para se tornar um fenômeno estrutural no país.


A própria CNC aponta que o cartão de crédito continua sendo a principal modalidade de dívida entre as famílias brasileiras, presente em cerca de 85% dos casos de endividamento.


Ao mesmo tempo, o Mapa da Inadimplência da Serasa mostra que o valor médio devido por consumidor ultrapassa R$ 6.800, enquanto o total das dívidas já supera R$ 568 bilhões.


Quando essa pressão financeira se prolonga por meses, ou até anos, seus efeitos deixam de ser exclusivamente econômicos e passam a impactar diretamente o comportamento, a saúde e o desempenho profissional.



Por que o RH precisa olhar para isso agora?


O endividamento dos colaboradores deixou de ser apenas uma questão financeira e passou a representar um desafio estratégico para as empresas. Quando um profissional enfrenta dificuldades para pagar suas contas, os impactos dificilmente ficam restritos à vida pessoal: eles chegam ao ambiente de trabalho e afetam diretamente indicadores importantes para o RH.


Os primeiros reflexos costumam aparecer no aumento do absenteísmo, quando o colaborador precisa se ausentar para renegociar dívidas, resolver questões bancárias ou lidar com problemas decorrentes do estresse financeiro. Em muitos casos, porém, o impacto é ainda mais silencioso: o presenteísmo. O colaborador está presente fisicamente, mas sua atenção está voltada para preocupações financeiras, comprometendo a concentração, a tomada de decisões, a produtividade e a qualidade das entregas.


Além disso, o endividamento está diretamente relacionado ao aumento em situações psicossociais, com maior o numero de colaboradores com ansiedade, estresse, insônia e outros problemas de saúde mental, o que pode gerar mais afastamentos, maior demanda por programas de apoio psicológico e até aumento do turnover. Profissionais em situação financeira delicada tendem a buscar novas oportunidades motivados pela necessidade imediata de aumentar a renda, elevando os custos de recrutamento, treinamento e retenção de talentos.


Essa realidade também amplia a demanda sobre o próprio RH, que passa a lidar com pedidos de adiantamento salarial, dúvidas sobre empréstimos consignados, descontos em folha e outras questões que extrapolam sua atuação tradicional. Em muitos casos, essas situações envolvem ainda aspectos jurídicos, como renegociação de dívidas, contratos bancários, cobranças abusivas, fraudes financeiras e direitos do consumidor.


É justamente por isso que o bem-estar financeiro passou a fazer parte da estratégia de gestão de pessoas. Cada vez mais empresas investem em ações de educação financeira, consultorias e programas de apoio aos colaboradores. No entanto, muitas dificuldades financeiras não se resolvem apenas com planejamento ou organização do orçamento. Grande parte delas exige orientação jurídica especializada para que o colaborador compreenda seus direitos, tome decisões mais seguras e evite que pequenos problemas se transformem em conflitos maiores.


Nesse contexto, o cuidado jurídico torna-se um complemento natural das iniciativas de bem-estar financeiro. Ao oferecer acesso facilitado à orientação jurídica, as empresas ajudam seus colaboradores a enfrentar desafios relacionados ao endividamento com mais segurança e agilidade, reduzindo impactos na saúde mental, na produtividade e no clima organizacional.


É essa a proposta do Legal Care: ampliar a estratégia de cuidado com as pessoas por meio de um benefício que une prevenção, informação e apoio jurídico especializado, fortalecendo tanto o bem-estar dos colaboradores quanto os resultados do negócio.

Comentários


bottom of page