Cartão de crédito: o vilão número 1 do endividamento das famílias brasileiras

O cartão de crédito consolidou-se como a principal modalidade de dívida no Brasil, alcançando 85,1% do total de famílias endividadas.

Esse número é um retrato de milhões de brasileiros que chegam ao trabalho todos os dias carregando, além da mochila, uma pilha de boletos que não param de crescer.
E quando a dívida deixa de ser apenas uma preocupação financeira e passa a acompanhar a pessoa dentro do trabalho, o impacto vai muito além do orçamento doméstico. Ela pode afetar a saúde mental, a concentração, o bem-estar e a qualidade de vida de quem está enfrentando esse problema — e, como consequência, também se refletir no engajamento, nas relações e no clima organizacional.
Cuidar desse cenário, portanto, não é apenas olhar para os impactos que a dívida gera para a empresa. É também reconhecer que, por trás de um problema financeiro, existe uma pessoa que precisa de orientação, apoio e caminhos para recuperar sua tranquilidade.
Cartão de crédito: o grande vilão da crise de endividamento das famílias brasileiras
O problema não é ter um cartão de crédito. O problema é o que acontece quando a fatura não fecha. O juro do cartão de crédito rotativo, por exemplo, alcançou 440,5% ao ano, segundo dados do Banco Central. Para entender o tamanho disso: se você deve R$ 1.000 no rotativo e não pagar em um ano, essa dívida pode ultrapassar R$ 5.400.
O crédito rotativo é acionado quando o consumidor paga menos que o valor total da fatura, quitando apenas o mínimo, e a partir daí passam a incidir juros elevados sobre o valor não pago dentro do prazo de 30 dias. É uma armadilha silenciosa. Parece uma solução rápida num mês apertado, mas se transforma em uma bola de neve que pouquíssimas famílias conseguem parar sozinhas.
As famílias brasileiras encerraram 2025 mais endividadas do que em 2024. Levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que 78,9% das famílias terminaram o ano com algum tipo de dívida, crescimento de 2,3 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2024. E a tendência não dá sinais de fácil reversão: dados do Mapa da Inadimplência da Serasa apontam 83,5 milhões de brasileiros com o nome negativado em maio de 2026, após 17 meses consecutivos de alta.
Saúde mental no trabalho: o custo invisível da dívida no cartão de crédito
Existe uma crença muito difundida de que problemas financeiros ficam em casa quando você vai trabalhar. Mas não bem isso que acontece na realidade...
Uma pessoa que está com a vida financeira desorganizada não deixa o problema em casa quando sai para trabalhar, ela leva essa preocupação para o escritório, para a fábrica, para a reunião e para cada decisão que precisa tomar.
Os números confirmam o que muita gente já sente na pele. Uma pesquisa realizada pela Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box mostra que 89% dos brasileiros entrevistados afirmam já ter sentido algum impacto de problemas financeiros na saúde mental. O sono é uma das áreas mais afetadas, com 71% relatando que problemas financeiros prejudicaram sua qualidade de sono. Esse impacto também afeta o humor de 53%, a autoestima de 50% e o equilíbrio emocional de 47% dos entrevistados.
Quando a pessoa não tem uma boa noite de descanso, o dia de trabalho também não funciona. E a conta chega de formas que nem sempre aparecem no contracheque.
Engajamento de colaboradores e gestão de pessoas: o que ninguém está medindo
O endividamento tem um efeito direto sobre a qualidade da presença no trabalho. Entre os trabalhadores pesquisados, 66% relatam aumento de estresse por causa do endividamento, 51% dizem que esse estresse aparece dentro do trabalho, 47% sentem exaustão física e 33% reconhecem queda na própria produtividade.
76% dos entrevistados que estão com problemas financeiros afirmam que passam boa parte do tempo pensando nas contas a pagar, o que pode prejudicar projetos e a colaboração com colegas. Isso não é falta de comprometimento: é o cérebro humano tentando sobreviver a uma pressão que não tem hora para acabar.
Do ponto de vista da gestão de pessoas, o impacto é medido em indicadores que toda liderança acompanha, mas cuja causa raramente se investiga.
Empresas têm observado reflexos em indicadores como absenteísmo, rotatividade e engajamento das equipes. Mas são poucas ou até nenhuma empresa, que sabe quantos % do time está endividado por causa de um cartão rotativo, e essa é a informação que ninguém coleta, embora ela explique parte do que aparece nos indicadores.
O clima organizacional também sente o peso. Um colaborador que não dorme bem, que entra na reunião pensando em como vai pagar a fatura, que evita conversas por vergonha da situação financeira, não é um colaborador presente de verdade.
Cartão não é o único vilão: quando a busca por dinheiro rápido agrava o problema
O cartão de crédito pode ser a principal porta de entrada para o endividamento, mas não é o único fator por trás dessa crise financeira.
Quando as dívidas se acumulam e a sensação de não conseguir sair do lugar aumenta, algumas pessoas passam a buscar alternativas que prometem dinheiro rápido para aliviar uma pressão imediata. É nesse contexto que outros fatores, como apostas e bets, podem entrar em cena e transformar uma dificuldade financeira em um problema ainda maior.
A promessa de ganhar dinheiro rapidamente pode parecer uma saída para quem precisa pagar uma dívida, completar a renda ou colocar as contas em dia. Mas, na prática, o que começa como uma tentativa de recuperar o controle financeiro pode aprofundar a vulnerabilidade e criar novas dívidas.
Em uma conversa com, Maria Luisa Tannous, advogada da Leggal, no nosso podcast Legal Care Talks, ela explica como as apostas podem se relacionar com o endividamento e quais são os impactos jurídicos envolvidos nesse cenário.
E esse é apenas um dos outros fatores que entram nessa conversa. A crise financeira das famílias brasileiras tem múltiplas causas, e entender cada uma delas é fundamental para pensar em estratégias de cuidado que realmente façam diferença.
Benefícios corporativos e saúde mental no trabalho: por que a empresa precisa agir agora
O endividamento por cartão de crédito não é um problema de irresponsabilidade individual. Um estudo da CNC revelou que, entre os consumidores que relataram estar endividados no cartão de crédito, 30% utilizam essa modalidade para comprar alimentação, roupas e calçados. Muita gente não está endividada por luxo: está usando o crédito para cobrir necessidades básicas que o salário não alcança.
Nesse cenário, esperar que o colaborador resolva tudo sozinho é uma aposta arriscada para qualquer estratégia de cuidado com pessoas. Os dados mostram que a vulnerabilidade financeira não é um problema isolado, ela atinge a produtividade, a saúde mental e a motivação dos trabalhadores.
É aqui que os benefícios corporativos fazem a diferença real. Não basta oferecer plano de saúde e vale-refeição quando a raiz do sofrimento está numa dívida de cartão que dobra a cada poucos meses. O colaborador precisa de cuidado jurídico para entender seus direitos diante de cobranças abusivas, negociar dívidas com mais segurança, contestar juros ilegais e se proteger de fraudes financeiras que, muitas vezes, são a porta de entrada para o espiral do endividamento.
O Diagnóstico de Impacto 360: quando a empresa decide enxergar o que está acontecendo
A Leggal desenvolveu o Diagnóstico de Impacto 360 exatamente para ajudar empresas a entenderem o que os relatórios de RH não mostram. A ferramenta mapeia os principais riscos mentais, jurídicos e financeiros que impactam a vida pessoal dos colaboradores, incluindo situações de endividamento, fraudes de consumo e dificuldades de negociação com credores.
O resultado é um panorama concreto que conecta a realidade da vida financeira do colaborador ao que a empresa observa em clima organizacional, engajamento e produtividade. Antes de agir, é preciso enxergar, e o Diagnóstico 360 é o primeiro passo para isso.
Com o Legal Care, benefício de cuidado jurídico via WhatsApp, cada pessoa tem acesso a orientação jurídica personalizada para situações reais da vida: contestar cobranças indevidas, entender como negociar dívidas, proteger-se de golpes financeiros, revisar contratos. É cuidado para a vida.




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