Setembro Amarelo: o que pode estar por trás do sofrimento emocional dos colaboradores?

Nem toda dor psicológica tem uma causa visível. Muitas vezes, por trás do sofrimento emocional existe uma situação desconhecida, ainda não resolvida.

Todo mês de setembro, o país se mobiliza para falar sobre prevenção ao suicídio e saúde mental. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 14 mil pessoas morrem por suicídio no Brasil todos os anos, uma média superior a 38 mortes por dia. E a Organização Mundial da Saúde estima que, para cada óbito, existam entre 10 e 20 tentativas, um retrato de um sofrimento muito maior do que os números mostram.
No ambiente de trabalho, o reflexo já aparece nos indicadores: em 2024, o Brasil registrou 472 mil afastamentos por transtornos mentais, segundo o Ministério da Previdência Social, um crescimento de 68% frente ao ano anterior.
O sofrimento emocional nem sempre tem uma causa visível
É comum que empresas tratem a saúde mental como uma questão exclusivamente de bem-estar: mais pausas, apoio psicológico e comunicações sobre autocuidado.
Tudo isso importa, mas para uma parte significativa dos casos, a origem do sofrimento pode estar em uma situação financeiro, familiar, mobiliária... Problemas não silenciosos e pessoais do colaborador, que não aparecem diretamente em pesquisas de clima, e que muitas vezes, está invisível para a própria empresa.
Quando a dor tem origem jurídica
Podemos trazer um cenário extremo: uma mulher em situação de violência doméstica. Ela precisa ter orientação adequada para entender os seus direitos, como uma medida protetiva, entrada em um divórcio ou reaver a partilha de bens. Sem esse apoio, a mulher segue exposta.
E o impacto na saúde mental já é documentado: segundo a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher (Senado Federal), 46% das mulheres em situação de violência tiveram o trabalho diretamente afetado, e cerca de 24 milhões de brasileiras já tiveram a rotina alterada por esse motivo. Um estudo do IEPS ainda aponta que mulheres nessa situação têm 3,8 vezes mais chances de desenvolver depressão.
O mesmo padrão se repete em outras situações da vida pessoal: um colaborador endividado, negociando com bancos e cobranças sem saber seus direitos; alguém em processo de separação, sem entender como funciona a partilha ou a guarda dos filhos; uma vítima de fraude de consumo, sem saber como reaver o prejuízo. Em todos esses casos, a insegurança jurídica se soma ao desgaste emocional, e um alimenta o outro.
Por que muita gente sofre em silêncio
Boa parte dessas situações não chega ao RH, e quando chega, pode ser tarde para trazer uma solução preventiva.
Falta, principalmente, documentação e orientação adequada: sem saber a quem recorrer ou como comprovar o que está vivendo, muitas pessoas simplesmente convivem com o problema até ele se agravar, impactando em outros momentos da vida, como no ambiente de trabalho.
Sinais que o RH e as lideranças devem observar:
Pedidos frequentes de afastamento ou de atestados, sem um padrão claro;
Queda perceptível de engajamento em reuniões, treinamentos ou projetos;
Isolamento social dentro da equipe, evitando interações informais;
Dúvidas recorrentes sobre direitos relacionados a afastamento no trabalho;
Mudança perceptível de humor ou comportamento, e falta de engajamento.
Nenhum sinal isolado confirma uma situação, mas a recorrência pede atenção estruturada.
O papel do cuidado jurídico na prevenção
Não cabe ao RH resolver a vida pessoal de ninguém, nem investigar o que se passa fora do trabalho. Mas cabe oferecer acesso a quem pode ajudar.
Quando o colaborador tem orientação jurídica facilitada para entender seus direitos e agir diante de uma situação de violência, divórcio, aluguel, dívida ou fraude, uma parte real do peso emocional que ele carrega diariamente passa a ter um caminho, uma solução. E isso, sim, está ao alcance da empresa.
O primeiro passo: enxergar o problema
Antes de criar mais uma iniciativa de bem-estar, o RH precisa entender o tamanho real do problema dentro da própria empresa: quantos colaboradores estão sendo impactados por situações como essas, quais sinais aparecem com mais frequência e onde estão os maiores pontos de atenção.
Foi pensando nisso que a Leggal desenvolveu o Diagnóstico de Impacto 360°, uma ferramenta que mapeia os desafios de saúde mental, jurídicos e financeiros, que chegam até seus colaboradores.
Se você ou alguém que você conhece precisar de apoio, o CVV (Centro de Valorização da Vida) atende gratuitamente pelo 188, 24 horas por dia.




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